sábado, 17 de setembro de 2011

Não esqueça do ventilador


ao que parece...
Quase que não vistes o teu ventilador.
Ficou concentrada roendo a carne debaixo da unha, sei apenas que não há outra bela couragem para o frio latente como a que cobre teus dentes.
aquele olhar sarcástico,
a ponta de boca esboçando um sorriso naquela direção num ângulo de encontro a mim.
Disseram depois que foi um sonho...

Apenas não deixe o ventilador ligado se por um acaso eu cair no sono.

vais calcando...
pisa gritando...
machuca, desvia,
ofende, lesa,
bate, corta,
come, decepa,
trepa, chupa,
assopra,
taca fogo,
afoga, engoli...

talvez
depois
pense.

Ao longo de tanto silêncio e calma sobra muito pouco além de pequenos embaraços, é isso que é não ter mais vinte e poucos anos, obviamente mudaram os planos.
Mas pra onde ter e pegar e morder cada pedacinho dos dedos do pé?
Escorre tão vermelho o sangue... e pelos ossos da tua boca-couraça apreciando a dor que já doía em mim sem poder parar de ver-te mutilar e devorar a si mesma...

Te encharcas de hemorragias, vais comendo, pouco a pouco cada pedacinho de teu corpo, ao que parece não sentes nem sinto mais dor, nem escárnio, e há essa altura pareço também gostar

certamente não me incomoda mais
testemunha ocular.

andapulafalagrita
grita
andapulafala
fala
grita
andapula
pulafala
grita
anda


nada além de mera estupidez que nasceu lá atrás e ainda não te abandonou...

mas veja bem, o que tenho a dizer

sim, vais breve morrendo,
portanto

apenas prometa

não
esquecer
do
ventilado...













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